segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Cabeças no ar - O cheiro dos livros



O professor de português
Empolgou-se na lição
Tropeçou caiu ao chão
Quase partiu o pescoço
Como aquele sábio grego
Que de tanto olhar o céu
Caiu dentro dum poço

O professor de português
Falava de natação
Dos poemas de Camões
Eu vi toda a epopeia
Senti o cheiro ao mostrengo
Cheirava a sal e a trovões
E a desgostos de sereia

Mas eu quero-lhe dizer
Um segredo verdadeiro
Até o Stör cair
Os livros não tinham cheiro

E eu que não tinha atenção
Era uma nota sofrível
Senti vivo o predicado
Dentro do meu coração
Saltei subi de nível
Fiz-me sujeito acordado
No centro da oração

Ó meu caro professor
Eu quero-lhe agradecer
Ter ganho o meu nariz
Nele vou a toda a parte
É uma força motriz
Vou a Roma e a Paris
Vou à Lua e vou a Marte

Ó meu caro professor...

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