terça-feira, 1 de abril de 2014

2º Resumo da Semana da Leitura- EPA

Português no mundo- dia 20 de março


No dia 20 de março, os alunos do 3ºTPA e as professoras, Anabela Fernandes e Ana Arminda Azevedo, deslocaram-se ao Agrupamento de Escolas de Macedo de Cavaleiros, para dar corpo  à atividade "Português no Mundo", integrada na Semana da Leitura. Os alunos apresentaram, em duas sessões, uma de manhã e outra à tarde,  as danças típicas dos seus países, poesia de autores portugueses em RAP e a declamação de poemas  bilingue, em Português e Crioulo. Os alunos de 5º e 6º anos,  do Agrupamento de Escolas de Macedo de Cavaleiros, assistiram extasiados  à atuação dos alunos da EPA. Foi um grande momento de convívio, entre culturas diferentes, com pessoas que partilham a mesma língua.




Uma língua e diferentes culturas

Manuel Alegre

Eu creio que pela mediação da poesia
os poetas fundaram os povos.
E os povos fundaram a língua.
E a língua fundou as nações.
Língua de viagem e mestiçagem,
como gosta de dizer o meu amigo Manuel Rui.(1)
Rio de muitos rios.
E talvez pátria de várias pátrias.
Sem esquecer que há o português da opressão
e o português da libertação.
O português de múltiplas tiranias
e o português das várias resistências.
A língua é a mesma. Mas não é a mesma.
É una. Mas é diversa.
Tanto mais ela quanto mais diferente.
Tanto mais pura quanto mais impura.
Tanto mais rica quanto mais mestiça.

(1-Manuel Rui Alves Monteiro, escritor angolano.)
 
 

Karaoke e Humor- dia 20 de março

 
No dia 21 de março, às 10:00h, os alunos da EPA reuniram-se no auditório da escola,  para encerrar a Semana da Leitura e festejar a Língua Portuguesa,  com música e humor em Português. Durante esta atividade os alunos fizeram Karaoke de músicas portuguesas e assistiram a momentos de humor, de comediantes nacionais. Foi um momento de boa disposição  e uma   forma divertida de se expressarem em  Português.
 


Crónica verdadeira da língua portuguesa
Escrito por João Meloem 6 de agosto de 2010

A poetisa portuguesa
Sophia de Mello Breyner
gostava de saborear
uma a uma
todas as sílabas
do português do Brasil.

Estou a vê-la:
suave e discreta,
debruçada sobre a varanda do tempo,
o olhar estendendo-se com o mar
e a memória,
deliciando-se comovida
com o sol despudorado
ardendo
nas vogais abertas da língua,
violentando com doçura
os surdos limites
das consoantes
e ampliando-os
para lá da História.

 Mas saberia ela
quem rasgou esses limites,
com o seu sangue,
a sua resistência
e a sua música?

A libertação da língua portuguesa
foi gerada nos porões
dos navios negreiros
pelos homens sofridos que,
estranhamente,
nunca deixaram de cantar,
em todas as línguas que conheciam
ou criaram
durante a tenebrosa travessia
do mar sem fim.

Desde o nosso encontro inicial,
essa língua, arrogante e
insensatamente,
foi usada contra nós:
mas nós derrotámo-la
e fizemos dela
um instrumento
para a nossa própria liberdade.

Os antigos donos da língua
pensaram, durante séculos,
que nos apagariam da sua culpada consciência
com o seu idioma brutal,
duro,
fechado sobre si mesmo,
como se nele quisessem encerrar
para todo o sempre
os inacreditáveis mundos
que se abriam à sua frente.

Esses mundos, porém,
eram demasiado vastos
para caberem nessa língua envergonhada
e esquizofrénica.

Era preciso traçar-lhe
novos horizontes.

Primeiro, então, abrimos
de par em par
as camadas dessa língua
e iluminamo-la com a nossa dor;
depois demos-lhe vida,
com a nossa alegria
e os nossos ritmos.

Nós libertámos a língua portuguesa
das amarras da opressão.

Por isso, hoje,
podemos falar todos
uns com os outros,
nessa nova língua
aberta, ensolarada e sem pecado
que a poetisa portuguesa
Sophia de Mello Breyner
julgou ter descoberto
no Brasil,
mas que um poeta angolano
reivindica
como um troféu de luta,
identidade
e criação.

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