quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Direitos Humanos: A Identidade de José Saramago

A IDENTIDADE

A identidade de uma pessoa não é o nome que tem, o lugar onde nasceu, nem a data em que veio ao mundo.
A identidade de uma pessoa consiste, simplesmente, em SER e o SER não pode ser negado.
Apresentar um papel que diga como nos chamamos, donde e quando nascemos, é tanto uma obrigação legal como uma necessidade social.
Ninguém, verdadeiramente, pode dizer quem é, mas todos temos direito de poder dizer quem somos para os outros. Para isso servem os documentos de identidade.
Negar a alguém o direito a ser reconhecido socialmente é o mesmo que retirá-lo da sociedade humana.
Ter um papel para mostrar, quando nos perguntam quem somos, é o mínimo dos direitos humanos, porque a identidade social é um direito primário, o mais importante, talvez, porque as leis exigem que desse papel dependa a inserção do indivíduo na sociedade). (...)
A lei abusará do seu poder sempre que se comporte como se a pessoa que tem diante de si não existe.
Nenhum ser humano é humanamente ilegal. Ainda assim, há pessoas que, pelos seus comportamentos, deveriam legalmente ser ilegais, esses são os que exploram, os que se servem dos seus semelhantes para crescerem em poder e riqueza.
Para os outros, para as vítimas de perseguições políticas e religiosas, para os encurralados pela fome e pela miséria, a quem tudo foi negado, negar-lhes um papel que os identifique será a última das humilhações.
Já há demasiada humilhação no mundo, contra ela e a favor da dignidade, documentos para todos, que nenhum homem ou mulher seja excluído da comunidade humana.

 
             José Saramago, texto traduzido do espanhol





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