sábado, 1 de maio de 2010

Os livros do mês de Maio



Jorge Amado escreveu O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá em 1948, para o seu filho João Jorge, quando este completou um ano de idade. O texto andou perdido, e só em 1978 conheceu a sua primeira edição, depois de ter sido recuperado pelo filho e levado a Carybé para o ilustrar. Com ilustrações belíssimas, para um belíssimo texto, a história de amor do Gato Malhado e da Andorinha Sinhá continua a correr mundo fazendo as delícias de leitores de todas as idades.

Para reflectir

«O Tempo é um ser difícil. Quando queremos que ele se prolongue, seja demorado e lento, ele foge às pressas, nem se sente o correr das horas. Quando queremos que ele voe mais depressa que o pensamento, porque sofremos, porque vivemos um tempo mau, ele escoa moroso, longo é o desfilar das horas.»




O mundo só vai prestar
Para nele se viver
No dia em que a gente ver
Um gato maltês casar
Com uma alegre andorinha
Saindo os dois a voar
O noivo e sua noivinha
Dom Gato e dona Andorinha.

Estêvão da Escuna




Jorge Amado nasceu a 10 de agosto de 1912, na fazenda Auricídia, no município de Itabuna, zona cacaueira ao sul do Estado da Bahia.
Passou a infância dividido entre a cidade natal e Salvador. Viveu livre e misturado com o povo da Bahia nos seus anos de adolescência, adquirindo então um conhecimento da vida popular que iria marcar fundamentalmente a sua obra de romancista. Cursou a Faculdade de Direito do Rio de Janeiro. Em 1932, levado por Rachel Queiroz, frequenta grupos políticos de esquerda; filia-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB).
Em 1935, forma-se em Direito, mas passa a sofrer perseguições políticas, que o levam a exilar-se temporariamente na Argentina e Uruguai (1941-42). Em 1936 e 37 conhece as agruras da prisão política. Em 1946, com a redemocratização, elege-se deputado pelo PCB, mas, no ano seguinte, tem o seu mandato suspenso em consequência de ilegalidade do partido. Em 1948, viaja por vários países socialistas da Europa, França e Thecoslováquia.
Foi membro da Academia Brasileira de Letras em 6 de abril de 1961, assim como foi membro de outras Academias de Letras e de Ciências no Brasil.
Casado desde 1945 com a escritora Zélia Gattai, com quem teve dois filhos, João Jorge Amado, nascido no Rio de Janeiro em 1947, e Paloma Amado Costa, nascida em Praga, em 1951.
Faleceu na Bahia em 6 de Agosto de 2001.

Algumas obras publicadas

O país do Carnaval
Cacau
Mar Morto
Capitães de areia
O cavaleiro da esperança
Gabriele, cravo e canela
Dona Flor e seus dois maridos
Tieta do Agreste




Esta é a história do gato Zorbas. Um dia, uma formosa gaivota apanhada por uma maré negra de petróleo deixa ao cuidado dele, momentos antes de morrer, o ovo que acabara de pôr. Zorbas, que é um gato de palavra, cumprirá as duas promessas que faz nesse momento dramático: não só criará a pequena gaivota, como também a ensinará a voar. Tudo isto com a ajuda dos seus amigos Secretário, Sabetudo, Barlavento e Colonello, dado que, como se verá, a tarefa não é fácil, sobretudo para um bando de gatos mais habituados a fazer frente à vida dura de um porto como o de Hamburgo do que a fazer de pais de uma cria de gaivota...
O grande escritor chileno oferece-nos neste seu novo livro uma mensagem de esperança de altíssimo valor literário e poético.

Comentário de um leitor

Dos 8 aos 80


É um livro delicioso que nos conta uma história que considero ser para pessoas dos oito aos oitenta anos. Não aceito a designação de literatura infantil. É certo que uma criança de oito anos apenas vai apreciar uma história bem construída mas um adulto consegue extrair algo mais. É uma fábula ainda na altura em que os animais falavam... Neste caso, são gatos, gaivotas e cães. E é através destes animais que Luís Sepúlveda oferece algumas lições importantes aos seres humanos. Oferece-nos uma singela lição de sobrevivência, uma lição de fidelidade e de honrar os compromissos que aceitamos. O autor ainda aborda a temática da poluição, da mancha negra que originou toda a trama desta obra.
                                                                                                          Sérgio Manuel Silva Almeida


Excerto da obra

«- Vou pôr um ovo. Com as últimas forças que me restam vou pôr um ovo. Amigo gato, vê-se que és um animal bom e de nobres sentimentos. Por isso, vou pedir-te que me faças três promessas. Fazes? – grasnou ela, sacudindo desajeitadamente as patas numa tentativa falhada de se pôr de pé.
Zorbas pensou que a pobre gaivota estava a delirar e que com um pássaro em estado tão lastimoso ninguém podia deixar de ser generoso.
- Prometo-te o que quiseres. Mas agora descansa – miou ele compassivo.
- Não tenho tempo para descansar. Promete-me que não comes o ovo – grasnou ela abrindo os olhos.
- Prometo que não te como o ovo – repetiu Zorbas.
- Promete-me que cuidas dele até nascer a gaivotinha.
- E promete-me que a ensinas a voar – grasnou ela fitando o gato nos olhos.
Então Zorbas achou que aquela infeliz gaivota não só estava a delirar, como estava completamente louca.
- Prometo a ensiná-la a voar. E agora descansa que vou em busca de auxílio – miou Zorbas trepando de um salto para o telhado.
Kengah olhou para o céu, agradeceu a todos os bons ventos que a haviam acompanhado e, justamente ao exalar o último suspiro, um ovito branco com pintinhas azuis rolou junto do seu corpo impregnado de petróleo.»



Luis Sepúlveda nasceu em Ovalle, no Chile, em 1949. Reside actualmente em Gijón, na Espanha, após viver entre Hamburgo e Paris.
Membro activo da Unidade Popular chilena nos anos setenta, teve de abandonar o país após o golpe militar de Pinochet.
Viajou e trabalhou no Brasil. Uruguai, Paraguai e Peru. Viveu no Equador entre os índios Shuar, participando numa missão de estudo da UNESCO. Sepúlveda era, na altura, amigo de Chico Mendes, herói da defesa da Amazónia. Dedicou a Chico Mendes O Velho que Lia Romances de Amor, o seu maior sucesso.
Perspicaz narrador de viagens e aventureiro nos confins do mundo, Sepúlveda concilia com sucesso o gosto pela descrição de lugares sugestivos e paisagens irreais com o desejo de contar histórias sobre o homem, através da sua experiência, dos seus sonhos, das suas esperanças.

Algumas obras publicadas
 
As rosas de Atacama
O velho que lia romances de amor
Patagónia Express
O General e o Juiz
Encontro de amor num país em guerra
Crónicas do Sul
O poder dos sonhos
A lâmpada de Aladino
A sombra do que fomos

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